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A ciência está mais inteligente ou mais artificial com a IA?
O maior estudo já realizado sobre o impacto da inteligência artificial na produção científica revela um paradoxo: pesquisadores que usam IA publicam mais, são mais citados e chegam mais cedo à liderança – mas a ciência, como empreitada coletiva, está estreitando seus horizontesOs resultados são positivos para quem adota IA em seus estudos: pesquisadores desse grupo publicam, em média, três vezes mais artigos e recebem quase cinco vezes mais citações do que os demais. A prática também acelera a carreira dos cientistas, que assumem a liderança de projetos mais cedo. A conclusão mais simplória é a de que a IA torna os cientistas mais produtivos, mais visíveis e mais influentes.
No entanto, o estudo também mostra que a ciência, como construção coletiva, encolheu quase 5% em amplitude temática desde a disseminação da IA e gera 22% menos engajamento cruzado entre pesquisadores. Traduzindo: há mais cientistas publicando mais sobre menos assuntos, e esses trabalhos provocam menos conversas entre os pares.
“Fiquei surpreso com a menor probabilidade da IA gerar novos engajamentos”, afirma James Evans, professor de sociologia e ciência de dados na Universidade de Chicago, diretor do Knowledge Lab e um dos autores do artigo. “Pensei que essa tendência pudesse mudar ao longo do tempo que o estudo abrange, mas ela continua valendo para modelos recentes de IA.”
Mais produção, menos diversidade
O estudo divide a história da IA em três eras: a do aprendizado de máquina clássico (machine learning), de 1980 a 2014; a do aprendizado profundo (deep learning), de 2015 a 2022; e a da IA generativa, de 2023 em diante. Em todas elas, o padrão se repete: o cientista que adota IA ganha em produtividade individual, mas a ciência como um todo perde em diversidade temática.
Para medir essa perda, os autores desenvolveram o conceito de “extensão do conhecimento”, uma medida da variedade de temas explorados por um conjunto de artigos. Quando comparados em amostras aleatórias, os artigos que usam IA cobrem um espaço temático quase 5% menor do que os que não usam. E isso vale para mais de 70% das mais de 200 subáreas do conhecimento analisadas no estudo.
Uma das explicações para esse resultado é a disponibilidade de dados. A IA funciona melhor onde há mais dados estruturados para treinar modelos e validar previsões. Isso pode atrair pesquisadores para campos já maduros, com padrões e referências consolidados, em detrimento de questões menos estabelecidas e, portanto, “arriscadas”.
“Acelerar a atividade científica sob a luz lançada por fenômenos de alta visibilidade e ricos em dados afasta a ciência de muitas questões fundamentais e a empurra em direção a questões operacionais”, pontuam os autores no artigo. “A IA parece impulsionar a solução de problemas em vez de gerá-los”, completam.
Os resultados apresentam a seguinte lógica: se publicar com IA garante mais citações e mais visibilidade, o incentivo para adotar a tecnologia cresce. E quando mais pesquisadores se voltam para os mesmos campos – os mais ricos em dados e aqueles em que o uso da IA já é mais consagrado – a atenção passa a se concentrar em poucos trabalhos de destaque.
O estudo mede essa desigualdade com o índice de Gini, que vai de 0 (distribuição perfeitamente equilibrada) a 1 (concentração máxima). Entre os artigos que usam IA, as citações recebidas se acumulam mais: 22% dos papers mais citados abocanham 80% de todas as menções, o que leva o índice a 0,75.
Entre os artigos que não usam IA, a atenção se distribui de forma mais espalhada, e o índice fica em 0,69. Ou seja, na ciência feita com IA, alguns poucos estudos concentram uma fatia desproporcional da atenção.
Evans chama isso de “multidão solitária”: artigos que se voltam para os mesmos tópicos populares, mas que interagem menos entre si. “A adoção de IA na ciência apresenta o que parece ser um paradoxo: uma expansão do impacto dos cientistas como indivíduos, mas uma contração no alcance da ciência coletiva”, opina.
Fabio Cozman, diretor do Centro de Inteligência Artificial da USP (C4AI), apoiado pela FAPESP, por outro lado, considera outras possibilidades. “A IA é uma ferramenta útil e poderosa. Se ela for usada para ficar repetindo soluções, ela vai, sim, aumentar o overlapping”, afirma. “Mas cabe a nós, à comunidade acadêmica e também aos órgãos de financiamento, ter uma política agressiva que valorize a originalidade. Isso vai forçar os pesquisadores a usar as ferramentas de IA como suporte para a busca de novas ideias.”
Dilemas para jovens cientistas
Há outra dimensão da adoção de IA na produção acadêmica que levanta um questionamento entre pesquisadores ouvidos pela reportagem: o que acontece com os jovens cientistas que deveriam aprender realizando tarefas que agora a IA executa?
O estudo revela que equipes de pesquisa que usam IA tendem a ter menos pesquisadores – sobretudo em início de carreira. O número médio de cientistas júniores em equipes que não trabalham com IA é de 2,89. Já em equipes que aplicam IA na pesquisa, a quantidade é de 1,99 (31% a menos). Considerando pesquisadores sênior, a discrepância é menor: média de 4,01 em times que adotam IA e de 3,58 em times que não adotam. Em outras palavras: proporcionalmente, a IA substitui mais iniciantes do que veteranos.
Ao mesmo tempo, cientistas iniciantes que trabalham com IA têm 45% de chance de se estabelecer na carreira, uma taxa 13,64% superior à dos pares que não usam a tecnologia. “Meu medo não é que os jovens dependam da IA para executar a parte técnica, mas que ela cause uma dessensibilização neles”, comenta Helder Nakaya, pesquisador sênior do Einstein Hospital Israelita e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.
Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências e vice-diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, compartilha a preocupação e vai além. Para ele, o artigo da Nature carrega um risco adicional: ser mal interpretado pelos pesquisadores em formação. “Ele é instrutivo e ao mesmo tempo perigoso. Pode induzir a uma utilização da IA a qualquer custo”, comenta. Afinal, se publicar com IA garante mais citações e uma carreira mais rápida, jovens cientistas pressionados pelo sistema de avaliação acadêmica têm todos os incentivos errados para adotar a tecnologia de forma irrefletida, independentemente da pertinência científica.
A questão da formação tem um aspecto ainda mais concreto. Análise de dados, revisão de literatura e planejamento de experimentos são habilidades aprendidas na prática – errando, corrigindo e refazendo. É nesse processo que surgem perguntas novas, insights inesperados e uma intuição que a IA ainda não oferece.
“Uma coisa é usar a IA para aumentar a produtividade em tarefas que o pesquisador já domina. Outra é aprender a fazer ciência usando IA desde o início”, afirma Nakaya. “Há estudos que indicam que o aprendizado com IA não ativa as mesmas áreas do cérebro que são estimuladas pelo aprendizado sem esse apoio”, diz. O estudo deixa em aberto justamente o que acontece quando a tecnologia encurta – ou substitui – essas etapas fundamentais da formação científica.
“O papel do orientador será cada vez mais estimular reflexão, em vez de focar na técnica, que será automatizada”, diz Nakaya. “O que sobra para mim, como cientista, é a parte da curiosidade, que é o que fez a gente entrar nesse caminho.”
Buckeridge vê benefícios mais concretos. Desde 2023, os manuscritos de seus alunos passaram a chegar com o inglês mais polido graças à IA generativa. O biólogo vê vantagem na mudança, especialmente para pesquisadores de países que não têm o inglês como língua nativa. “Isso pode liberar o foco do pesquisador para as ideias, para os dados, para tornar a ciência melhor.” Entretanto, ele estabelece limites: “Mas a aprendizagem pelo fazer continua sendo insubstituível.”
A ciência que a IA não alcança
Evans, que além de pesquisador na Universidade de Chicago, é também pesquisador visitante no Google, acredita em uma mudança no foco de aplicação da IA na ciência. Em vez de priorizar dados existentes, o objetivo deveria ser usar a tecnologia para coletar dados novos, em territórios ainda não mapeados.
“Usar IA para impulsionar a coleta de novos dados representaria uma mudança crucial em direção a problemas que somente ela pode ajudar a resolver”, afirma Evans. “O processamento de dados já existentes demonstra que a IA tem bom desempenho com esse tipo de informação. Contudo, é possível estimular a coleta de dados inéditos que conectem sistemas biológicos conhecidos ou que relacionem informações de escala astronômica com áreas da física que buscam pistas valiosas pelo Universo, como quem procura uma agulha no palheiro.”
Evans também trabalha em uma direção menos explorada: abrir novas dimensões nos modelos de linguagem, em vez de apenas comprimir informação existente. “Estamos desenvolvendo modelos para reconhecer dados, afirmações ou artigos surpreendentes e, em seguida, avaliar, a partir de uma surpresa identificada, que outras ideias improváveis até então podem ser mais prováveis agora?” A lógica é a da descoberta: encontrar o que era invisível em vez de otimizar o que já se conhece.
Segundo Cozman, da USP, “cabe a nós valorizar menos a repetição e o número de publicações e valorizar aquilo que é novo, mesmo quando não deu certo, porque isso é o que é difícil na análise e no suporte à pesquisa.”
O lugar humano na pesquisa
Nakaya, que aplica aprendizado de máquina em suas pesquisas há mais de duas décadas, desde seu doutorado, analisa que o impacto da IA na ciência seguirá três estágios. No primeiro, o atual, a tecnologia aumenta a produtividade individual. No segundo, já em curso, a IA passa a executar tarefas melhor do que os humanos, e ao cientista caberá fazer as perguntas certas e entender os gargalos. No terceiro, mais distante, a IA também formulará as perguntas, e o que sobrará para os pesquisadores será, ironicamente, aquilo que os levou à ciência em primeiro lugar: o gosto pela curiosidade. “No futuro, a meu ver, vai sobrar fazer pesquisa não utilitarista, por prazer”, diz Nakaya.
Ele também traça um paralelo com o xadrez. Em 1997, Garry Kasparov perdeu para o supercomputador Deep Blue e muita gente achou que o jogo acabaria. “Hoje, mais pessoas jogam xadrez do que antes. Temos que perder um pouco desse ego de achar que vamos ser sempre melhores do que as máquinas. Em alguns aspectos seremos piores. Tudo bem. Vamos usar as máquinas para melhorar a nossa pesquisa”, afirma.
Buckeridge evoca uma analogia com outro jogo ainda mais popular: o futebol. “Em relação à IA, assim como no esporte, a gente tem que antever a jogada e se mover para onde a bola vai estar e não se aglomerar onde ela está”. O perigo, para ele, é a ciência correndo atrás “da bola” da IA e abandonando campos com menos dados, mas com questões igualmente importantes. “Vai se repetir o que aconteceu com a biologia molecular. Chegou um momento em que todo mundo foi atrás e faltou gente em bioquímica. Isso é ruim para a ciência, ruim para a produção do conhecimento, mas é assim que o jogo é jogado”, conclui.
Conhecimento não é entendimento
Há uma anedota do físico americano Richard Feynman: você pode saber o nome de um pássaro em todas as línguas do mundo e continuará sem saber nada sobre o pássaro. Em outras palavras, o conhecimento não é a mesma coisa que o entendimento. Ter acesso a toda a literatura científica via um modelo de linguagem não faz de ninguém um cientista, mas somente alguém bem informado.
O estudo de Evans e colaboradores aponta, nesse sentido, para um horizonte que vai além das métricas de produtividade. Ao final, a pergunta não é apenas quantos artigos a IA ajuda a publicar, mas o que esses artigos estão descobrindo e, mais importante, o que estão deixando de perguntar.
“Esses achados iluminam um caminho crítico e amplo para o desenvolvimento da IA na ciência”, escrevem os autores no artigo da Nature. “Para preservar a exploração coletiva numa era de uso de inteligência artificial, precisaremos reimaginar sistemas de IA que expandam não apenas a capacidade cognitiva, mas também a capacidade sensorial e experimental, permitindo e incentivando os cientistas a buscar, selecionar e coletar novos tipos de dados de domínios anteriormente inacessíveis, em vez de meramente otimizar a análise de dados existentes”, completam.
A história das grandes descobertas científicas, argumentam, está mais ligada a novas formas de ver a natureza do que à otimização das formas já existentes de olhar para ela. O desafio é ensinar à máquina, e aos jovens pesquisadores, o caminho da curiosidade.
Esta é uma reprodução da matéria publicada na Revista Pesquisa Fapesp de julho de 2026.
Fonte: JOKURA, Thiago. A ciência está mais inteligente ou mais artificial com a IA? Revista Pesquisa Fapesp, julho 2026. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-ciencia-esta-mais-inteligente-ou-mais-artificial-com-a-ia/ Acesso em 02 set. 2026.
Referência
HAO, Q., XUu, F., LI, Y. et al. Artificial intelligence tools expand scientists’ impact but contract science’s focus. Nature 649, 1237–1243 (2026). https://doi.org/10.1038/s41586-025-09922-y Acesso em 02 set. 2026.
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Biblioteca Digital Senac disponível na USP até 08 de dezembro de 2026
A Biblioteca Digital Senac oferece aos alunos da USP acesso a mais de 2.000 títulos de e-books da Editora Senac São Paulo em uma plataforma moderna, intuitiva e personalizada, tornando a leitura mais prática e eficiente, disponibilizando:
Recursos de acessibilidade;
Busca inteligente por títulos, autores e assuntos;
Ferramentas de estudo para apoiar o aprendizado;
Organização das obras por áreas do conhecimento;
Leitura em um visualizador que preserva o projeto editorial original;
Leitura off-line para acessar os conteúdos quando e onde quiser;
Assistente com inteligência artificial para esclarecer dúvidas, gerar resumos, criar mapas mentais e ouvir conteúdos em áudio;
Favoritos, compartilhamento de recomendações e clubes do livro para enriquecer a experiência de leitura.
Áreas contempladas: Série Universitária; Ciências Humanas; Comunicações e Artes; Design, Arquitetura e Moda; Educação; Gastronomia e Nutrição; Gestão e Negócios; Meio Ambiente, Segurança e Saúde no Trabalho; Saúde, Bem Estar e Beleza; Tecnologia da Informação; Turismo e Hotelaria, Eventos e Desenvolvimento Social; Ensino Médio.
Para explicar melhor o uso da Biblioteca Digital Senac, participe dos Treinamentos Online:
17/09 – 15h – Demonstração Biblioteca Digital Senac para Equipes de Bibliotecas. Inscreva-se AQUI
24/09 – 15h – Apresentação Biblioteca Digital Senac para Docentes, Discentes e demais interessados. Inscreva-se AQUI
Para acessar, entre em:
www.bibliotecadigitalsenac.com.br
Login: USP
Senha: USP
O trial vai até o dia 08 de dezembro de 2026.
Para aproveitar todos os recursos da plataforma, baixe também o aplicativo da Biblioteca Digital Senac para smartphones e tablets, disponível para Android e iOS.
Em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail bibliotecadigital@sp.senac.br
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Agência de Bibliotecas Digitais da USP em parceria com a Biblioteca Digital Senac
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Nova data: 24/09 – 15h Workshop para autores: IA e diferentes etapas da publicação científica
No âmbito das universidades de pesquisa, promover a qualidade da escrita e da publicação científica é fundamental.Conhecer conceitos e técnicas empregadas na redação e na padronização de textos, bem como as políticas editoriais dos periódicos, contribui para a formação dos autores, a melhoria do discurso científico, bem como o real avanço do conhecimento.
Além disso, atividade de publicação em revistas científicas envolve a seleção criteriosa dos títulos de periódicos mais adequados à área de conhecimento, público alvo e indicadores de impacto e qualidade.
Em anos recentes, o uso da Inteligência Artificial aplicada à publicação científica tem suscitado dúvidas e é muito importante conhecer e delimitar o uso ético e responsável desse recurso.
Para saber mais, inscreva-se e participe deste treinamento online gratuito:
Workshop para autores: IA e diferentes etapas da publicação científica
Data: 24 de setembro de 2026
Horário: 15h00
Inscrições: https://elsevier.zoom.us/webinar/register/WN_DIUMUJlLQRqeAolguJDAbgEsta sessão de treinamento online abordará aspectos chave da publicação acadêmica, incluindo:
– Como preparar um artigo de qualidade;
– Como escolher a revista adequada;
– Entendendo o processo de revisão por pares e as decisões editoriais;
– Ética em publicação e uso responsável de IA;
– Dicas práticas para aumentar suas chances de aceite.Palestrante: Dr. Rafael Teixeira (Senior Publisher)
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Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais em parceria com a Elsevier
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O pesquisador do futuro: IA, colaboração e impacto em um cenário de pesquisa em transformação
O relatório também revela variações regionais significativas na adoção, mobilidade e acesso a recursos de IA. Pesquisadores da região Ásia-Pacífico, por exemplo, adotam a IA mais rapidamente, mas têm menor mobilidade internacional, enquanto pesquisadores da América do Norte demonstram maior mobilidade.
Essas disparidades evidenciam o risco de agravamento das desigualdades globais. Para sanar essas lacunas, é necessário investir em treinamento, infraestrutura e políticas que garantam a todos os pesquisadores acesso equitativo a ferramentas, redes e oportunidades de financiamento.
As diferenças regionais têm consequências importantes para a adoção da IA, a colaboração e a qualidade geral da pesquisa.
Estas são evidências destacadas pelo pesquisador or ASADI, Yasin Asadi no artigo The Researcher of the Future: AI, Collaboration, and Impact in a Changing Research Landscape. Springer, Nov. 2025 [1], aqui com tradução livre para o português.
Implicações
A inteligência artificial tornou-se onipresente na pesquisa moderna, mas seu uso generalizado também destaca a necessidade urgente de governança e treinamento adequados. Sem uma supervisão clara, existe um risco real de uso indevido, erros ou dependência excessiva dos resultados da IA, o que pode comprometer a qualidade da pesquisa.
Pesquisadores e instituições devem priorizar programas de alfabetização em IA e desenvolver estruturas para garantir uma adoção responsável.
Ao mesmo tempo, a crescente pressão do tempo e a incerteza quanto ao financiamento ameaçam a profundidade e a qualidade da pesquisa.
Muitos pesquisadores sentem-se pressionados por tarefas administrativas e pela expectativa de publicar com frequência, o que pode desviar a atenção de trabalhos significativos e rigorosos.
Instituições e financiadores têm um papel crucial na proteção do tempo dedicado à pesquisa e na recompensa de contribuições que reflitam qualidade e impacto.
Apesar dessas pressões, a integridade e o rigor metodológico permanecem essenciais ao trabalho acadêmico. A confiança na revisão por pares, a transparência e a adesão cuidadosa aos métodos de pesquisa continuam a orientar os pesquisadores na produção de resultados confiáveis e reproduzíveis.
Esses princípios fornecem uma base sólida, especialmente em uma era em que as ferramentas digitais e a IA estão transformando rapidamente as práticas de pesquisa.
A colaboração está aumentando entre disciplinas e fronteiras, mas a mobilidade física está diminuindo. As ferramentas de colaboração digital podem ajudar a superar as barreiras geográficas, mas não podem substituir completamente a troca informal de conhecimento e as oportunidades de carreira que a mobilidade presencial historicamente proporcionou.
Apoiar tanto as vias digitais quanto as físicas de colaboração será essencial para sustentar redes de pesquisa dinâmicas.
Há também uma clara tendência em direção à pesquisa orientada para o impacto. Os pesquisadores estão cada vez mais focados na relevância social, no engajamento público e em projetos com propósito. Instituições e financiadores são, portanto, incentivados a reconhecer e recompensar trabalhos que abordam desafios do mundo real, além das métricas acadêmicas tradicionais.
Por fim, as diferenças regionais na adoção da IA, na mobilidade e no acesso a recursos evidenciam a persistência das desigualdades globais. É necessário apoio direcionado para garantir o acesso equitativo a treinamento, ferramentas e financiamento, para que todos os pesquisadores — independentemente de sua localização — possam participar plenamente do cenário de pesquisa em constante evolução.
Conclusão
O pesquisador do futuro é capacitado em IA, colaborativo, orientado por missões e consciente da integridade.
No entanto, essas oportunidades vêm acompanhadas de responsabilidades: pesquisadores, instituições, financiadores e editores devem trabalhar juntos para fornecer treinamento, governança e apoio, garantindo que a tecnologia aprimore a pesquisa em vez de prejudicá-la.
Ao alinhar incentivos com impacto social, rigor metodológico e colaboração, a comunidade científica global pode fomentar um futuro mais responsável, equitativo e impactante para a ciência.
Olhando para o futuro, fomentar o acesso equitativo às ferramentas de IA, promover a adoção responsável e alinhar os incentivos à pesquisa com o impacto social serão essenciais para garantir que a próxima geração de pesquisas permaneça rigorosa, inclusiva e transformadora.
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Referência
[1] ASADI, Yasin. The Researcher of the Future: AI, Collaboration, and Impact in a Changing Research Landscape. Springer, Nov. 2025. Disponível em: https://communities.springernature.com/posts/the-researcher-of-the-future-ai-collaboration-and-impact-in-a-changing-research-landscape Acesso em: 02 set. 2026
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Relatório Pesquisador do Futuro – A confiança na Pesquisa – ressalta as mudanças recentes no cenário acadêmico
Relatório sobre o futuro da Pesquisa mostra que o cenário acadêmico e corporativo moderno está sendo remodelado pela rápida adoção da inteligência artificial, pelas mudanças nos parâmetros de financiamento e pela colaboração interdisciplinar global.
Descubra como pesquisadores percebem o ambiente atual de pesquisa e inovação e o que é necessário para fortalecê-lo no futuro.
Mais de 58% dos pesquisadores usam IA rotineiramente para revisões de literatura, processamento de dados e redação de manuscritos, embora o treinamento institucional muitas vezes esteja atrasado em relação à tecnologia.
O Dr. Mark Daley discute como a IA está transformando as tarefas científicas e o que isso significa para o futuro dos pesquisadores humanos. Esta é uma tradução livre do Relatório da Elsevier intitulado.
O ritmo das descobertas científicas está acelerando e o ecossistema de pesquisa muda rapidamente. Avanços em inteligência artificial (IA), biotecnologia, sistemas quânticos e outras frentes de fronteira ampliam o que é possível, enquanto prioridades sociais, pressões econômicas e exigências regulatórias transformam como a pesquisa é financiada, conduzida e avaliada.
O relatório «Confidence in Research» da Elsevier mostra como mais de 3.200 pesquisadores, em 113 países, estão se adaptando a essa mudança.
Mais pressões — e compromisso com a integridadePesquisadores enfrentam um volume crescente de informações, demandas administrativas e de ensino, incerteza de financiamento e pressão por publicar.
- 45% dizem ter tempo suficiente para pesquisar
- Apenas 33% esperam aumento de financiamento nos próximos 2–3 anos; otimismo menor na América do Norte e Europa
- 68% afirmam que a pressão para publicar é maior que há 2–3 anos
- 74% acreditam que a pesquisa revisada por pares permanece confiável e essencial para a integridade
Ainda assim, questões de reprodutibilidade e da integridade da revisão por pares mostram onde a comunidade pode agir em conjunto para fortalecer o sistema.
Adoção rápida de IA — com necessidade de suportePesquisadores veem a IA como transformadora, e a adoção cresce rapidamente:
- 58% já usam ferramentas de IA (37% em 2024)
- Só 27% consideram ter formação adequada
- Apenas 32% dizem que sua instituição oferece boa governança de IA
A maioria (**58%**) afirma que as ferramentas de IA economizam tempo, com foco em usos de maior impacto. Hoje, as ferramentas de IA são usadas para:
- Encontrar e resumir as pesquisas mais recentes (61%)
- Fazer revisões de literatura (51%)
- Analisar dados de pesquisa (38%)
- Redigir propostas de fomento (41%)
- Redigir artigos ou relatórios (38%)
Marcadores de confiança para aumentar a segurança na IA
A revisão por pares continua sendo a base da integridade. Pesquisadores enfatizam a necessidade de marcadores de confiança — tanto para a pesquisa quanto para as ferramentas de IA:- Transparência e citações claras (59%)
- Dados recentes e literatura atualizada (55%)
- Treinamento em conteúdo de alta qualidade e revisado por pares (55%)
- Validação humana regular dos resultados da IA (49%)
== Referência ==
[1] ELSEVIER. Researcher of the Future — a report from Confidence in Research. Elsevier Insights, 2025. Disponível em: https://www.elsevier.com/pt-br/insights/confidence-in-research/researcher-of-the-future Acesso em 29 ago. 2026___________________________________________ -
Coordenadora Executiva da ABCD visita a Biblioteca da FZEA
A Biblioteca FZEA-USP recebeu a visita de Gisele Ferreira de Brito, bibliotecária e Coordenadora Executiva da Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais (ABCD) da Universidade de São Paulo.A visita faz parte do Programa Reitoria no Campus, uma iniciativa que aproxima a Reitoria das diferentes unidades da USP, promovendo diálogo, integração e conhecimento sobre as realidades e necessidades de cada campus.
Foi uma oportunidade especial para compartilhar experiências, apresentar nosso espaço e fortalecer ainda mais a parceria entre a Biblioteca FZEA e a ABCD-USP.
De acordo com Gisele, a visita foi uma oportunidade de conhecer de perto a equipe, o espaço e a realidade da Biblioteca FZEA-USP. Foi também uma ótima oportunidade para compartilhar experiências, ideias e perspectivas e, sobretudo, para pensarmos em possibilidades do fortalecimento da parceria ABCD e Biblioteca.

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